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Mais de 60% dos atendimentos na UPA Zona Norte são casos de baixa complexidade que poderiam ser resolvidos nas UBSs

Dados mostram predominância de situações leves entre os pacientes que procuram o pronto atendimento.

Por Roberta Corrêa
18/10/2025 10h50
Média mensal de atendimentos varia entre 2,6 mil e 2,8 mil, com aumento nos períodos sazonais

Um levantamento realizado pela UPA Zona Norte de Macapá mostra que a maioria dos pacientes que procura o serviço de urgência apresenta situações que não exigem atendimento emergencial. Os dados revelam que mais de 60% dos casos registrados poderiam ser resolvidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), responsáveis pelo cuidado primário e contínuo da população.

De acordo com a direção da unidade, a média mensal de atendimentos varia entre 2,6 mil e 2,8 mil, com aumento nos períodos sazonais, especialmente por conta das síndromes gripais mais frequentes em determinadas épocas do ano.

A análise mostra que, entre janeiro e setembro, 66% dos atendimentos foram classificados como pouco urgentes (risco verde) ou não urgentes (risco azul), com base no Protocolo de Manchester, que organiza o fluxo de pacientes de acordo com a gravidade de cada caso, sendo essas classificações predominantes tanto em adultos quanto pediátricos.

Elen Maria Santos, coordenadora de Enfermagem da UPA Zona Norte de Macapá

“Grande parte dos pacientes que chegam à UPA apresenta sintomas leves, como febre, tosse, dor de cabeça, escabiose ou necessidade de atualização de receita médica, situações que podem ser atendidas nas Unidades Básicas de Saúde. Quando o acompanhamento é feito corretamente na atenção primária, evita-se a sobrecarga das UPAs e garante-se um cuidado mais resolutivo”, explica a coordenadora de Enfermagem, Elen Maria Santos.

Outro ponto em destaque é que setembro apresentou uma procura atípica, com 8.276 atendimentos registrados. Os dados apontam que 5.735 atendimentos foram classificados como verde e azul.

As demais classificações, amarela, laranja e vermelha, que indicam urgência e emergência, totalizaram 2.541 atendimentos (31%), demonstrando que uma parcela menor dos casos são os que correspondem ao perfil adequado da unidade.

“Esses números reforçam a necessidade de fortalecer a Atenção Primária à Saúde, ampliando o acesso e a resolutividade nas Unidades Básicas, de modo a reduzir o número de atendimentos de baixa gravidade nas UPAs”, destaca a coordenação.

Mais de 60% dos casos registrados poderiam ser resolvidos nas Unidades Básicas de Saúde

Manoel Picanço, de 28 anos, que reside no bairro Jardim Felicidade, foi até a UPA acompanhado do pai, João Amoras, de 72 anos, após apresentar sintomas gripais e dor de garganta. Ele relatou ter tentado atendimento na UBS do bairro, mas encontrou a unidade em obras.

“Estou com a garganta inflamada, fui na UBS perto de casa, mas vi que estava fechada, em reforma, então vim para cá. Sei que poderia ter resolvido lá. Aqui na UPA fui atendido e medicado rapidamente. Como sofri um acidente de trânsito mês passado, meu pai me acompanha porque ainda estou com dificuldade para andar”, contou Manoel.

João Amoras acompanha o filho, Manoel Picanço, que não conseguiu atendimento na UBS do bairro, no Jardim Felicidade

Mesmo não sendo a porta de entrada ideal para casos leves, a UPA Zona Norte não nega atendimento a nenhum paciente. A unidade orienta a população sobre o uso correto dos serviços de saúde, para que os casos graves possam ser atendidos com mais agilidade e segurança.

Função de cada tipo de unidade

  • UBSs: realizam consultas médicas, acompanhamento de doenças crônicas, vacinação, testes rápidos, pequenos procedimentos, visitas domiciliares e atendimentos de rotina, especialmente infantil.
  • UPAs: funcionam como retaguarda de urgência e emergência, atendendo pacientes que necessitam de assistência imediata, mas sem risco iminente de morte.

Classificação de risco

  • Risco vermelho: emergência (atendimento imediato)
  • Risco laranja: muito urgente
  • Risco amarelo: urgente
  • Risco verde: pouco urgente
  • Risco azul: não urgente

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforça que as UPAs atendem casos de urgência, como crises hipertensivas, dor torácica, falta de ar, traumas, convulsões e ferimentos graves. Já os sintomas leves e consultas de rotina devem ser realizados nas UBSs, que são a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e garantem o acompanhamento contínuo da comunidade.

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ÁREA: Saúde