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HOSPITAL DE EMERGÊNCIA

Alta procura por atendimentos de baixa complexidade provoca superlotação no Hospital de Emergência de Macapá

Em média, entre 25 e 35 pacientes por turno são classificados como verde ou azul; em um único dia, a unidade registrou mais de 60 atendimentos sem urgência no período noturno.

Por Karla Marques
17/01/2026 10h00
Em média, entre 25 e 35 pacientes por turno são classificados como verde ou azul; em um único dia

O Hospital de Emergência (HE) de Macapá tem registrado aumento significativo na procura por atendimento nas últimas semanas, cenário que tem resultado em superlotação na porta de entrada da unidade. Dados da classificação de risco mostram que, em média, entre 25 e 35 usuários procuram o hospital por turno apenas para triagem, sendo a maioria enquadrada como casos de baixa complexidade.

No último dia 12 de janeiro, a unidade chegou a registrar, no período noturno, 139 atendimentos. Desses, 63 pacientes foram classificados como verdes e seis como azuis, sem caráter de urgência ou emergência, o que representa aproximadamente 49,6% do total de atendimentos.

A médica intensivista Bianca Melo, que atua há sete meses no Hospital de Emergência, explica que o crescimento da demanda começou a ser observado a partir do início de janeiro, com aumento tanto de pacientes graves quanto de usuários com queixas simples.

“A partir do dia 2 de janeiro, o fluxo de atendimento aumentou de forma significativa. Passamos a receber muitos pacientes de média e alta complexidade, principalmente pacientes clínicos e idosos que necessitam de suporte de UTI. Ao mesmo tempo, seguimos com uma demanda muito grande de pacientes de baixa complexidade, classificados como verdes, com queixas como dor lombar e dores musculares”, relata.

Bianca Melo, médica intensivista

Segundo a médica, o Hospital de Emergência é a única unidade do estado preparada para atender casos graves, como infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e emergências neurológicas e cardiológicas, o que exige rigor na priorização dos atendimentos.

“Quando chegam quatro, cinco ou seis pacientes graves ao mesmo tempo, eles precisam ser atendidos primeiro. Isso reduz o número de profissionais disponíveis na porta de entrada para os pacientes verdes, que acabam aguardando mais tempo. Esses pacientes deveriam ser redirecionados para as UPAs ou UBSs”, reforça Bianca.

Os números da classificação de risco evidenciam a sobrecarga na unidade. Entre os dias 9 e 14 de janeiro, o Hospital de Emergência de Macapá realizou 799 atendimentos na porta de entrada. Desse total, 358 pacientes foram classificados como verdes e nove como azuis, somando 367 atendimentos sem gravidade, o equivalente a 46% do total.

Entre os dias 9 e 14 de janeiro, o HE realizou 799 atendimentos. Desse total, 367 foram atendimentos sem gravidade, o equivalente a 46% do total

Já os casos considerados graves, classificados como laranja e vermelho, representaram 111 atendimentos, enquanto 321 pacientes foram enquadrados como amarelos, de média urgência.

A médica destaca ainda que o atendimento a pacientes de média e alta complexidade demanda mais tempo e equipes especializadas.

“Quando atendemos um paciente grave, é necessário estabilizá-lo e interná-lo. Esse processo pode levar de 30 a 40 minutos. Nesse período, o atendimento na porta fica reduzido. Ontem à tarde, por exemplo, os três médicos de plantão estavam ocupados com pacientes graves, o que aumentou o tempo de espera dos pacientes verdes”, explica.

Atualmente, o Hospital de Emergência conta, diariamente, com dois médicos na porta de entrada no turno da manhã, três à tarde e três à noite, podendo ampliar esse quantitativo conforme a demanda.

De acordo com Bianca Melo, parte da superlotação está relacionada à desinformação da população sobre o funcionamento da rede de saúde.

“Muitos pacientes chegam acreditando que o Hospital de Emergência é o local para realizar exames de forma mais rápida. Outros não compreendem como funciona o fluxo do sistema. A gente orienta que aqui é para pacientes graves, mas muitos resistem em procurar UBSs ou UPAs porque sabem que precisarão aguardar consulta ou exames”, afirma.

Apesar das orientações, muitos usuários permanecem aguardando atendimento, o que contribui para a lotação da recepção, em uma unidade que frequentemente opera acima da capacidade por atender casos que realmente necessitam de assistência especializada.

O diretor do Hospital de Emergência, Djalma Guedes, reforça que a unidade é referência estadual e precisa estar disponível para salvar vidas.

“O Hospital de Emergência é um serviço estratégico para o estado. Quando pacientes sem urgência ocupam a porta de entrada, isso impacta diretamente o atendimento de quem realmente corre risco de morte”, destaca.

Segundo o diretor, o uso correto da rede de saúde é fundamental para melhorar o fluxo e garantir assistência adequada à população.

“As UBSs e UPAs são responsáveis pelos atendimentos de baixa e média complexidade. Quando cada serviço cumpre seu papel, o sistema funciona melhor e o Hospital de Emergência consegue cumprir sua missão principal, que é atender os casos graves e salvar vidas”, conclui Djalma Guedes.

Djalma Guedes, diretor do Hospital de Emergência

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ÁREA: Saúde