Janeiro Roxo: Governo do Estado reforça alerta permanente para o enfrentamento da hanseníase no Amapá
A campanha nacional chama a atenção para diagnóstico precoce, tratamento gratuito e redução do estigma de uma doença que ainda é um desafio de saúde pública no Brasil.
O Governo do Estado do Amapá intensificou, neste início de ano, as ações de conscientização sobre a hanseníase, doença infectocontagiosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae e ainda cercada por desinformação.
A hanseníase se manifesta principalmente por manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele, associadas à diminuição ou perda de sensibilidade, dormência, fisgadas ou formigamento.
Outros sinais incluem redução de pelos e do suor em determinadas áreas, caroços dolorosos e perda de força muscular, especialmente em mãos, pés e rosto.
Para a superintendente de Vigilância em Saúde do Amapá, Claudia Pimentel, o enfrentamento da hanseníase exige vigilância contínua.
“A campanha Janeiro Roxo reforça que a luta contra a hanseníase não se limita a um mês específico. Precisamos manter ações permanentes de informação, busca ativa, diagnóstico precoce e acompanhamento dos contatos, para reduzir a transmissão e combater o estigma que ainda afasta muitas pessoas do tratamento”, destacou.
De acordo com o Ministério da Saúde, a doença é classificada em diferentes formas clínicas.
"Indeterminada, tuberculoide, dimorfa e virchowiana, conforme a resposta do organismo à bactéria, explicou Ana Cleide, coordenadora da campanha de prevenção e combate à Hanseníase no Amapá.
Tratamento
O tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser indicado por dermatologista ou clínico geral, com uso combinado de antibióticos por um período de seis a 12 meses.
A hanseníase é uma doença infecciosa de evolução crônica, que afeta os nervos periféricos e a pele, podendo causar incapacidade física e prejuízo funcional, especialmente em mãos, pés e olhos. É eminentemente clínico, realizado por meio de exame físico na unidade de saúde.
A doença tem cura, desde que tratada corretamente com antibióticos fornecidos pelo SUS. Sem tratamento, pode deixar sequelas permanentes.
No Amapá, o Centro de Referência em Doenças Tropicais (CRDT) oferece tratamento da hanseníase com atendimento multiprofissional, incluindo suporte médico, de enfermagem, assistência farmacêutica, fisioterapia, nutrição e psicologia.
O CRDT está localizado na Rua Prof. Tostes, n.º 2212, Centro de Macapá, funcionando das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira. Para ter acesso ao tratamento, é necessário encaminhamento de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), após avaliação clínica.
Registros da doença
No Brasil, foram diagnosticados 22.254 casos novos em 2024 e 20.632 em 2025, representando uma redução de 7,3%.
No Amapá, em 2024, foram registrados 41 casos novos, sendo 30 multibacilares e 11 paucibacilares, com maior concentração em Macapá (19 casos). Em 2025, o estado contabilizou 89 casos novos, dos quais 74 multibacilares e 15 paucibacilares, novamente com Macapá liderando as notificações (36 casos).
Outro ponto de atenção é o acompanhamento dos contatos intradomiciliares, fundamental para interromper a cadeia de transmissão. Em 2024, foram registrados 150 contatos, dos quais 85 foram examinados (56,7% de cobertura). Em 2025, esse índice caiu para 42,7%, com 105 exames realizados entre 246 contatos registrados, cenário que coloca o estado em situação de precariedade nesse indicador, segundo dados do SINAN Net.
A campanha Janeiro Roxo segue ao longo de todo o ano, incentivando a população a procurar unidades de saúde diante de qualquer sinal suspeito e reforçando que a hanseníase tem cura quando diagnosticada e tratada corretamente.
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