‘É um trabalho que estão fazendo para nós, que sempre fomos esquecidas’, diz cidadã atendida pelo projeto Transcendendo Barreiras do Governo do Amapá
Monalisa de Lady Dark, de 56 anos, é mulher trans que aproveitou a tarde para renovar documentos, realizar consultas médicas e verificar assistência social e jurídica na ação do Habitacional Miracema, em Macapá.
Natural do arquipélago do Bailique, Monalisa de Lady Dark, de 56 anos, carrega no olhar a força de quem atravessou décadas de luta para existir com dignidade. Desde os 15 anos, ela se reconhece como mulher e aprendeu cedo que afirmar a própria identidade significava enfrentar preconceitos, exclusões e silêncios impostos pela sociedade. Nesta terça-feira, 27, no conjunto Miracema, essa trajetória ganhou um novo capítulo: o de acolhimento, acesso a direitos e reconhecimento.
Durante a ação do projeto Transcendendo Barreiras, do Governo do Amapá, Monalisa aproveitou para regularizar o CPF, buscar atendimento médico e acessar serviços sociais.
“Estou aproveitando para tirar meu CPF e me consultar. É um trabalho necessário para nós, que sempre fomos esquecidas”, afirmou. Para ela, a iniciativa representa um avanço concreto na vida de quem teve direitos negados por muitos anos.
Ao relembrar o passado, Monalisa não romantiza a própria trajetória. “Enfrentamos muitas coisas, muito preconceito, e isso ainda existe. As meninas mais novas hoje não passaram nem metade do que vivemos para ter um pouco de liberdade”, contou.
Ela citou nomes que marcaram a resistência contra a intolerância no Amapá na década de 1990, como Aretusa Belmor, Márcia Gabriele, Suzi Brasil, Júnior Beltrão e Ilário Abidalas, além de lembrar com emoção de lideranças já falecidas.
Apesar das marcas deixadas pelo preconceito, Monalisa reconhece avanços institucionais. “Hoje vejo o Governo do Estado acolhendo as pessoas, independentemente de gênero ou classe social. Mas o preconceito ainda aparece. O que falta para nós é oportunidade; podemos ser o que quisermos: médicos, professores ou psicólogos”, pontuou.
Transcendendo Barreiras
O evento, que integra o Mês da Diversidade e antecede o Dia Nacional da Visibilidade Trans (29 de janeiro), simboliza a busca pela cidadania plena. O coordenador de Saúde da População LGBTQIAPN+ da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Renato Nascimento, explicou que o projeto amplia o acesso às políticas públicas de forma descentralizada.
“A ideia é sair do centro e vir para a periferia, dialogar com a população que muitas vezes não consegue acessar os serviços públicos”, explicou.
A ação no Miracema contou com a participação integrada de diversas secretarias, oferecendo atendimentos de saúde, assistência social, emissão de documentos, orientação jurídica e serviços voltados à habitação e aos direitos humanos. A programação segue nesta quinta-feira, 29, com uma ação semelhante no Centro AMA-LBTI, localizado na Secretaria de Políticas para Mulheres (Rua São José, Centro), onde os mesmos serviços estarão disponíveis à população.
Serviços oferecidos na ação Transcendendo Barreiras (29/01):
- Atendimento médico;
- Serviço farmacêutico;
- Triagem;
- Atendimento psicológico;
- Assistente social;
- Vacinação;
- Teste rápido;
- Orientações jurídicas;
- Acolher Amapá;
- Massoterapia.
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