Agência de Notícias do Amapá
portal.ap.gov.br
Ferramenta de pesquisa
ÁREA DE GOVERNO
TAGS
LOCALIDADES
CONTEÚDO
PERÍODO
De
A
CARNAVAL 2026

Marabaixo do Amapá ecoa na Sapucaí com participação histórica na bateria da Mangueira

Com apoio do Governo do Estado, 15 marabaixeiros amapaenses levam a força da caixa de marabaixo ao maior espetáculo do planeta, ao lado de cariocas que aprenderam o ritmo afro-amazônico para o Carnaval 2026.

Por Lucas Mota
29/01/2026 18h15
Os 15 marabaixeiros amapaenses que irão desfilar na Sapucaí

O Amapá e seu povo estarão representados em um dos maiores palcos culturais do mundo: a Marquês de Sapucaí, na cidade do Rio de Janeiro. No Carnaval 2026, 15 marabaixeiros amapaenses integrarão a bateria da Estação Primeira de Mangueira, levando para a avenida o som ancestral da caixa de marabaixo, símbolo potente da cultura afro-amazônica do estado. Além deles, entre 15 e 20 integrantes cariocas aprenderam a tocar o instrumento especialmente para desfilar junto, fortalecendo o intercâmbio cultural e ampliando o alcance dessa manifestação tradicional.

A Estação Primeira de Mangueira, uma das escolas de samba mais tradicionais e vitoriosas do Rio de Janeiro, escolheu como tema do desfile o enredo “Mestre Sacaca do encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra”, em homenagem a Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca. Figura emblemática da história amapaense, ele foi reconhecido como profundo conhecedor das plantas medicinais da Amazônia, defensor da floresta, esportista, incentivador da cultura popular e personagem marcante do carnaval do Amapá, onde também se destacou como rei momo.

O desfile levará para a avenida elementos que tornam o Amapá singular no cenário cultural brasileiro, com destaque especial para o marabaixo. A caixa de marabaixo, incorporada à bateria da Mangueira, conduzirá o samba-enredo em um encontro simbólico entre a cultura tucuju e o samba carioca, projetando para o Brasil e o mundo a força da ancestralidade negra amazônica.

Para o conselheiro estadual de cultura do Amapá, compositor e marabaixeiro Wendell Uchoa, que participará do desfile tocando a caixa de marabaixo, a presença na Sapucaí representa um marco histórico para o estado:

“O samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira celebra nossa identidade como marabaixeiros, e o enredo propõe a apresentação dessa manifestação no maior palco a céu aberto do planeta. Fazer parte desse momento é de suma importância, pois o desejo de todo marabaixeiro é apresentar suas vestimentas e sua caixa de marabaixo em qualquer local do Brasil e ser reconhecido, para que as pessoas identifiquem a origem de nossa manifestação cultural. A Mangueira, na Sapucaí, representa essa vitrine. O mundo já nos conhece, somos calorosamente recebidos pela comunidade do Morro da Mangueira e a divulgação dos ensaios, tanto na quadra quanto nas ruas, já está proporcionando a visibilidade que o Amapá merece”, ressaltou.

Wendell Uchoa, agachado de braços abertos, posa junto aos marabaixeiros amapaenses e à rainha de bateria da Mangueira, Evelyn Bastos

A caixa de marabaixo: ancestralidade que pulsa
Mais do que um instrumento musical, a caixa de marabaixo é memória, resistência e identidade do povo negro do Amapá. Produzida de forma artesanal, com corpo de madeira e couro natural, cada caixa carrega características próprias. Seu som grave e pulsante, tocado com duas baquetas, marca o ritmo da dança e do canto coletivo, criando uma cadência que remete ao coração das comunidades tradicionais.

Presente em festividades populares, religiosas e culturais do Amapá, a caixa de marabaixo ultrapassa o Ciclo do Marabaixo e se manifesta em diferentes momentos de celebração, encontros comunitários e expressões culturais, sempre carregando profundo respeito à ancestralidade africana e à devoção popular. É um instrumento que acompanha a vida coletiva, fortalece laços comunitários, preserva memórias e reafirma identidades.

Símbolo de resistência e da história de pessoas escravizadas e seus descendentes, a caixa de marabaixo é reconhecida como patrimônio cultural do estado e segue sendo transmitida de geração em geração, mantendo viva uma tradição que atravessa o tempo.

Segundo Wendell Uchoa, a vivência com a comunidade da Mangueira e a incorporação do instrumento aos ensaios têm sido marcantes:

“Acompanho de perto a energia de uma nação incorporada nos ensaios de rua e de quadra, com todos entoando o samba e vibrando com o som de nossos instrumentos. Essa experiência tem sido extremamente emocionante, e tenho a certeza de que nossos ancestrais se sentem honrados com este encontro cultural ancestral que o estado do Amapá, por meio do seu governo, está proporcionando ao Brasil e ao mundo”, destacou.

Com esta participação inédita no Carnaval do Rio de Janeiro, o Governo do Amapá reafirma o compromisso com a valorização, preservação e projeção nacional e internacional da cultura afro-amazônica, levando o som da caixa de marabaixo para ecoar, com orgulho, no coração do maior espetáculo popular do planeta.

Mais do que um instrumento musical, a caixa de marabaixo é memória, resistência e identidade do povo negro do Amapá

Fique por dentro das notícias do Governo do Amapá no ==> Instagram e Facebook.
Siga o canal do Governo do Amapá no WhatsApp e receba notícias em primeira mão!

ÁREA: Cultura