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SAÚDE MENTAL

Governo do Amapá inaugura primeiro Serviço Residencial Terapêutico para fortalecer cuidado em liberdade

Unidade, localizada na Zona Norte de Macapá, é a primeira do Estado e integra a Rede de Atenção Psicossocial, oferecendo cuidado e reintegração social para pessoas com histórico de longa permanência em instituições psiquiátricas.

Por Júnior Nery
04/02/2026 08h15
Inaugurado em Janeiro deste ano, o Serviço Residencial Terapêutico é um avanço grandioso para a saúde mental e toda a rede de atenção

O Governo do Amapá alcançou um marco histórico na política de saúde pública com a implementação do primeiro Serviço Residencial Terapêutico (SRT) do estado. O serviço, estratégico para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), é focado na reinserção social de pessoas com histórico de longa permanência em instituições psiquiátricas, garantindo-lhes o direito fundamental de viver em comunidade com dignidade e autonomia.

As atividades da unidade, classificada como Tipo II, iniciaram no dia 22 de janeiro. No dia 29, a residência recebeu seus dois primeiros moradores — de um total de sete previstos para esta fase inicial. Todos os residentes são oriundos do Centro de Custódia Hospitalar Nova Esperança (CCHNE), unidade que funcionava como anexo do sistema penitenciário.

Diferente do isolamento dos antigos manicômios, o SRT funciona como um lar inserido na cidade. A ocupação ocorre de forma cuidadosa, respeitando o tempo de cada indivíduo.

Ivã Zorthea, coordenador de Saúde Mental da Sesa

“Embora o Serviço Residencial Terapêutico de Tipo II possua capacidade para até dez moradores, a ocupação está sendo realizada de forma gradual, planejada e responsável, respeitando o processo de adaptação de cada usuário e assegurando a organização do cuidado em liberdade”, explica o coordenador de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Ivã Zorthea.

Preparo e integração

A mudança para a nova moradia não é apenas física, mas um processo terapêutico profundo. Antes da transição, todos os usuários passaram por um preparo estruturado no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Gentileza, onde as equipes desenvolvem o Plano Terapêutico Singular (PTS) para cada morador. Esse instrumento funciona como um mapa para a vida fora das instituições, garantindo segurança clínica e respeito à história de cada um.

Segundo Ivã Zorthea, o serviço é essencial para quem perdeu os vínculos familiares ao longo de décadas de internação.

“O SRT é destinado a pessoas com transtornos mentais que vivenciaram longos períodos de institucionalização e que não dispõem de suporte familiar suficiente para uma moradia autônoma”, destaca o coordenador.

Focado no acolhimeto humanizado, SRT de suporte II tem capacidade para abrigar 10 usuários

Entenda os modelos de SRT

O Estado estruturou o serviço para atender diferentes níveis de necessidade:

  • SRT Tipo II (Implementado): Destinado a pessoas que precisam de maior apoio nas atividades diárias, com acompanhamento técnico presencial e contínuo.
  • SRT Tipo I (Planejado): Voltado a usuários com maior grau de autonomia, que necessitam de acompanhamento sistemático, mas não constante.
O serviço é focado na reinserção social de pessoas com histórico de longa permanência em instituições psiquiátricas

Compromisso e expansão

A concretização deste projeto é fruto de um trabalho articulado entre o Governo do Estado e o Poder Judiciário, coordenado pela Sesa, atendendo a uma demanda de décadas por alternativas ao modelo de internação.

O cronograma de expansão da Sesa já prevê novas unidades:

  • SRT Tipo II (Masculina): Para pacientes egressos da ala psiquiátrica do Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima (Hcal) e da Casa da Hospitalidade.
  • SRT Tipo I (Masculina): Também para egressos da psiquiatria do Hcal e da Casa da Hospitalidade.
  • SRT Tipo II (Feminina): Voltada para pacientes egressas da psiquiatria do Hcal e da Casa da Hospitalidade.

Com essa iniciativa, o Amapá reafirma o compromisso com a Reforma Psiquiátrica e com a construção de uma saúde mental baseada na cidadania, provando que o cuidado, quando feito em liberdade, é o caminho mais eficaz para a saúde e a dignidade humana.

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ÁREA: Saúde