O Alujá de Xangô: Piratas Estilizados traz a ancestralidade dos tambores e encerra desfiles do Carnaval 2026
Fechando oficialmente os desfiles, a "Mais Querida" e campeã de 2025 do Grupo Especial fez tremer o Sambódromo com enredo épico sobre as tradições iorubás e a resistência negra.
Encerrando a última noite de desfiles do Carnaval 2026, evento coordenado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap), em parceria com o Governo do Estado e o senador Davi Alcolumbre, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas Estilizados levou à Avenida Ivaldo Veras o enredo “Toque o Alujá para o Alafim de Oió: A Ancestralidade que ecoa nos Sagrados Tambores dos Piratas Estilizados”.
Fundada em 1974, no tradicional bairro do Laguinho, a agremiação surgiu inicialmente como bloco carnavalesco e rapidamente conquistou protagonismo no cenário cultural local, acumulando títulos e consolidando sua identidade no samba amapaense.
Neste ano, a proposta foi além do espetáculo visual. A escola apresentou um “itan”, termo da tradição iorubá que significa "história", como fio condutor da apresentação. Na cultura iorubá, os itans são narrativas míticas transmitidas oralmente, responsáveis por preservar saberes ancestrais e fundamentos religiosos.
Narrativa e Resistência Na avenida, o enredo narrou a criação do mundo por Olorum. Segundo a tradição apresentada, foi o som sincopado do tambor criado por Xangô, no ritmo do Alujá, que devolveu a alegria à existência. O tambor, símbolo central do desfile, foi retratado como instrumento sagrado de conexão entre o humano e o divino.
A narrativa também abordou o período da escravidão, destacando como o tambor atravessou o Atlântico com os povos africanos. Mesmo diante da violência e do apagamento cultural, o instrumento tornou-se elo de união e resistência das crenças do povo negro no Brasil. O desfile ressaltou, ainda, o sincretismo religioso como estratégia de sobrevivência, integrando divindades africanas, elementos indígenas e o catolicismo.
Com alegorias imponentes e bateria cadenciada, a Piratas Estilizados transformou a avenida em território de memória e afirmação identitária. O encerramento reafirmou o Carnaval do Amapá como espaço de celebração cultural e valorização das raízes afro-amazônicas.
Apuração e Resultado Final
A apuração dos desfiles das escolas de samba do Amapá ocorrerá na Quarta-feira de Cinzas, dia 18 de fevereiro, a partir das 14h, no Sambódromo de Macapá.
O rito de leitura das notas seguirá a seguinte ordem:
Grupo de Acesso
A disputa para ascender à elite do Carnaval amapaense contará com a apuração das seguintes agremiações:
- Cidade de Macapá;
- Emissários da Cegonha;
- Império da Zona Norte;
- Solidariedade.
Grupo Especial
Logo após, será revelada a campeã do Carnaval 2026 entre as gigantes do estado:
- Boêmios do Laguinho;
- Império do Povo;
- Maracatu da Favela;
- Unidos do Buritizal;
- Piratas da Batucada;
- Piratas Estilizados.
Quesitos julgados
Os jurados vão dar notas de 1 a 10 para enredo, Samba de Enredo, Bateria, Alegorias, Fantasias, Comissão de Frente, Mestre Sala e Porta-Bandeira, Evolução e Harmonia.
Carnaval 2026: Segurança, Inclusão e Fomento Econômico
O Carnaval no Sambódromo é coordenado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap), em parceria com o Governo do Amapá e o senador Davi Alcolumbre. A atual gestão preparou para 2026 o maior esquema de segurança pública da história do estado para o período carnavalesco.
Com um efetivo de 1.517 agentes, a operação garante monitoramento por Inteligência Artificial, uso de drones, helicóptero e uma Central de Comando Móvel. O planejamento abrange desde os desfiles no Sambódromo até o bloco A Banda, os circuitos de rua e as festividades dos 16 municípios, garantindo que o período seja marcado pela paz e pela preservação da vida, com reforço estratégico nas unidades de saúde e fiscalização rigorosa no trânsito.
Uma das grandes novidades deste ano é a gratuidade das arquibancadas de concreto e de ferro no Sambódromo de Macapá para os desfiles das dez escolas de samba. O anúncio, feito pelo governador Clécio Luís e pelo senador Davi Alcolumbre, visa democratizar o acesso à cultura e permitir que famílias inteiras acompanhem o espetáculo. Para facilitar a experiência do folião, a gestão lançou ainda o aplicativo oficial Carnaval Amapá 2026.
Além do lazer, o evento foca no fortalecimento da economia criativa e do empreendedorismo local. Mais de 700 trabalhadores foram capacitados em parceria com o Sebrae, recebendo kits de padronização e higiene para atuar na comercialização de produtos. O apoio estatal estende-se também à saúde pública, com a distribuição de 600 mil preservativos e ações educativas da Vigilância em Saúde, consolidando o Carnaval como um motor de geração de renda e bem-estar social para a população amapaense.
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