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ATENDIMENTOS NO HE

Alta na procura pelo Hospital de Emergência reforça ações para organizar fluxo de urgência em Macapá

Em janeiro deste ano, unidade registrou 4.234 atendimentos; casos de menor urgência cresceram 14% em relação ao mesmo período de 2025, impactando o tempo de espera.

Por Júnior Nery
04/03/2026 09h00
Aproximadamente 70% dos casos atendidos pelo HE poderiam iniciar a assistência em uma UBS, evitando tempo de espera prolongado de quem busca pela unidade

Em janeiro de 2026, o Pronto Atendimento Clínico do Hospital de Emergência (HE) registrou 4.234 atendimentos com alta hospitalar — pacientes que foram assistidos, manejados e liberados para suas residências, com ou sem encaminhamento médico. No mesmo período de 2025, foram 4.216 atendimentos. Embora a elevação seja discreta no total geral, a diferença se evidencia na estratificação dos dados: os atendimentos classificados como "cor verde" (baixa complexidade) saltaram de 1.417 em janeiro de 2025 para 1.673 em 2026, um aumento de aproximadamente 14%. Para uma unidade de urgência e emergência, essa variação representa a linha tênue entre um fluxo assistencial estável e a superlotação.

O Governo do Estado reforça que o HE é referência em média e alta complexidade, funcionando 24 horas para casos graves. A unidade recebe pacientes dos 16 municípios amapaenses e de ilhas paraenses vizinhas, como Afuá, no Marajó. O hospital opera sob o Protocolo de Manchester, sistema internacional de classificação de risco que organiza o atendimento por cores:

  • Azul e Verde: casos de menor gravidade.
  • Amarelo: urgência moderada.
  • Laranja e Vermelho: situações graves e gravíssimas, que exigem atendimento imediato e prioritário.
Célio Monteiro, responsável técnico da Enfermagem do HE

“Aproximadamente, 70% dos atendimentos que recebemos hoje são de pacientes classificados como verdes, azuis e amarelos, que poderiam ser destinados às UBS. Se o hospital atendesse somente o perfil dele, que é laranja e vermelho, esse número cairia bastante. Ainda assim, atendemos porque a saúde é direito de todos, mas muitos desses casos não são de média ou alta complexidade”, explica o responsável técnico da Enfermagem do HE, Célio Monteiro.

Tudo começa na Atenção Primária

Segundo o enfermeiro, situações simples, como troca de sondas, renovação de receitas, quadros leves de dor abdominal, cefaleia (dor de cabeça) ou descompensações leves de pressão arterial, deveriam ser acompanhadas na Atenção Primária, mas acabam sobrecarregando o hospital. Esse fluxo inadequado contribui para o fenômeno conhecido como boarding, quando pacientes aguardam leitos nos corredores devido ao descompasso entre a procura e a oferta de vagas.

“A prioridade não é por ordem de chegada, mas pela gravidade. Se um paciente 'verde' está aguardando e chega um 'vermelho', este último terá prioridade imediata. Por isso, quem procura o HE para casos de menor complexidade pode enfrentar um tempo de espera maior”, detalha Monteiro.

No HE, a prioridade não é por ordem de chegada, e sim pela gravidade do paciente

Otimizando o fluxo de atendimento

Na última semana, o HE passou por uma nova avaliação do Programa Lean nas Emergências, iniciativa do Ministério da Saúde que busca otimizar fluxos, reduzir desperdícios de tempo e tornar o atendimento mais ágil. A estratégia fortalece a organização interna para que a unidade siga resolutiva, mesmo diante da alta demanda.

“Temos trabalhado para enxugar o tempo e organizar processos com o Lean. O HE é referência no tratamento de AVC e outras linhas de cuidado, mas é fundamental que o cidadão entenda quando buscar o hospital. A UBS precisa ser a primeira porta para sintomas leves e acompanhamento de doenças crônicas”, orienta o responsável técnico.

O hospital opera sob o Protocolo de Manchester, sistema internacional de classificação de risco

Tempo de espera e impacto no sistema

Atualmente, o tempo médio de ingresso em leito após o pedido de internação é de cerca de 1,8 dia, podendo oscilar em períodos de maior demanda, como surtos respiratórios e eventos festivos.

Na prática, quando casos que poderiam ser resolvidos na atenção primária chegam ao HE, o impacto recai sobre todos: aumenta o tempo de espera e gera desconforto a quem aguarda, especialmente porque os casos laranja e vermelho — como infartos, AVCs e traumas graves — sempre terão prioridade absoluta.

O Governo do Estado segue fortalecendo a rede de saúde e integrando fluxos entre UBSs, UPAs e hospitais estaduais, com foco na qualidade do atendimento e na garantia de assistência humanizada a quem realmente precisa do SUS.

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ÁREA: Saúde