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Governo do Amapá reforça assistência pediátrica diante do aumento de síndromes gripais no período chuvoso

Hospital da Criança e do Adolescente registrou em março e abril, mais de 2,5 mil casos das doenças respiratórias em relação ao mesmo período do ano passado; aumento de aproximadamente 107,3%.

Por Júnior Nery
07/05/2026 10h49
´No período das chuvas intensas é preciso proteger as crianças contra os vírus que afetam o trato respiratótio

O período de chuvas intensas no Amapá tem refletido diretamente no aumento dos casos de Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), principalmente entre crianças, público mais vulnerável às complicações respiratórias. Para garantir assistência especializada e ampliar a capacidade de atendimento, o Governo do Amapá fortaleceu a rede pediátrica estadual com a entrega do novo Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), em Macapá, que hoje conta com 193 leitos e estrutura moderna voltada ao atendimento infantojuvenil.

Dados do Núcleo de Epidemiologia do HCA apontam que, nos meses de março e abril deste ano, foram registrados 2.572 casos de Síndrome Gripal e 216 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. No mesmo período de 2025, foram registrados 1.241 casos de SG e 284 de SRAG. Aumento foi de aproximadamente 107,3% em relação ao mesmo perído do ano passado.

Rinaldo Júnior, médico do NHE, do HCA

A diminuição dos casos de SRAG este ano ocorre devido, principalmente, à vacinação que a unidade tem ministrado aos recém-nascidos prematuros e crianças de até 2 anos com comorbidades, a Nirsevimabe.  

“O período de maior circulação das doenças respiratórias ocorre justamente entre março, abril e maio, podendo se estender até junho. Por isso, os cuidados precisam ser intensificados agora, principalmente com crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades. A orientação é reforçar a vacinação, evitar ambientes fechados e procurar atendimento logo nos primeiros sinais de agravamento”, destacou o médico do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do HCA, Rinaldo Júnior.

É preciso ficar atendo aos sinais para garantir que a SG não evolua para o caso grave, a SRAG

Monitoramento epidemiológico

A responsável técnica do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia da unidade, Ingrid Martins, explica que o aumento expressivo dos casos de Síndrome Gripal em 2026 também está relacionado à ampliação dos critérios de notificação adotados pelo Ministério da Saúde, que passou a incluir novas doenças respiratórias no monitoramento epidemiológico. Segundo ela, além da maior abrangência das notificações, o novo HCA ampliou significativamente a capacidade de atendimento da rede estadual.

Ingrid Martins, responsável técnica do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do HCA

Hoje temos uma estrutura muito maior do que no ano passado, com ampliação de leitos clínicos e de UTI pediátrica. Isso permite atender mais pacientes e oferecer assistência adequada aos casos mais graves. Mas é importante que a população siga corretamente o fluxo da rede de saúde para evitar superlotação das unidades hospitalares com casos leves que poderiam ser resolvidos na atenção básica”, ressaltou Ingrid.

Cuidados e prevenção

Entre as principais orientações para reduzir os casos de síndromes gripais estão manter a vacinação atualizada, reforçar a hidratação, evitar exposição das crianças à chuva e mudanças bruscas de temperatura, além da higienização frequente das mãos. Também é recomendado evitar ambientes fechados e aglomerações durante o período de maior circulação viral, especialmente entre crianças menores de 5 anos, idosos e pessoas com comorbidades.

“O cuidado precisa ser intensificado neste período porque estamos justamente no pico sazonal das doenças respiratórias no Amapá. A prevenção continua sendo a principal forma de evitar agravamentos e internações, principalmente entre crianças. É fundamental manter a vacinação em dia, observar sinais de desconforto respiratório e procurar assistência médica logo nos primeiros sintomas de agravamento”, reforçou o coordenador do Núcleo de Epidemiologia do HCA, Rinaldo Júnior.

O Vírus Sinsicial Respiratório é grave e pode levar a criança à internação

Os vírus com maior circulação neste ano, entre janeiro e abril, são o Rinovírus e a Influenza A (gripe), com 198 e 97 casos, respectivamente. O cenário é diferente do registrado em 2025, quando predominavam o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), associado aos casos mais graves de doenças respiratórias, e o Rinovírus, com 150 e 122 casos no mesmo período. De janeiro a abril deste ano, segundo especialistas do HCA, o cenário epidemiológico exige atenção redobrada das famílias, principalmente no acompanhamento da saúde infantil durante o período chuvoso. 

Quando procurar atendimento

A orientação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) é que casos leves, como febre baixa, coriza, tosse e dores no corpo, sejam inicialmente atendidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), responsáveis pela atenção primária. O encaminhamento direto aos hospitais porta de entrada, como o de Santana, maternidades e ao Pronto Atendimento Infantil deve ocorrer apenas em situações de agravamento, como dificuldade para respirar, febre persistente, queda da saturação, sonolência excessiva ou sinais de desconforto respiratório.

O fluxo adequado ajuda a evitar a superlotação das unidades de urgência e emergência, garantindo que os casos mais graves recebam atendimento prioritário e especializado.

Quando a crianaça apresentar sintomas, é preciso buscar o primeiro atendimento em uma Unidade Básica de Saúde

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ÁREA: Saúde