Homenagem que eterniza uma história: família de Dona Divina agradece reconhecimento à memória da matriarca no Parque Residência
Irmãos, filhos, netos e bisnetos compareceram à cerimônia de inauguração da estátua e se emocionaram com o tributo.
Com a inauguração do Parque Residência — um espaço de cultura, identidade e memória —, o Governo do Amapá homenageou um símbolo muito importante para o estado: Dona Divina. Castanheira e líder comunitária, ela atuou firmemente na defesa dos direitos das comunidades tradicionais amapaenses.
Dona Divina foi fundadora da Associação Quilombola das Comunidades do Igarapé do Lago do Maracá e transmitiu, de geração em geração, a prática ancestral do extrativismo, preservando modos de vida, saberes e a relação de respeito com a floresta.
Durante o evento, os familiares celebraram a imagem da matriarca cantando e dançando ao som da roda de samba, manifestação cultural tradicional no Amapá. Idevane Jesus da Trindade, de 56 anos, filho de Dona Divina, contou que a homenagem foi uma surpresa impactante e emocionante para todos.
“Em nome da nossa família, agradecemos por manter viva a memória de nossa mãe. Foi uma grandiosa homenagem essa que o Governo do Amapá fez, muito obrigado”, declarou, emocionado.
A historiadora e professora da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Elke Rocha, destacou a essencialidade de valorizar as comunidades, os saberes tradicionais e a economia criativa baseada na castanha.
“É o que a gente queria: ver essa casa do poder de portas abertas para receber as comunidades emblemáticas como esta, que é a de Conceição do Maracá, uma das últimas a serem reconhecidas como comunidade quilombola. Ver a felicidade deles é lindo e emocionante”, afirmou a professora.
Maria Divina Videira de Jesus
Nascida em 1932, no vale do Rio Maracá, Dona Divina foi uma liderança feminina aguerrida. Atuou na defesa dos direitos das comunidades tradicionais e na organização coletiva, sendo fundadora da Associação Quilombola das Comunidades do Igarapé do Lago do Maracá.
Seu legado expressa a luta dos povos extrativistas da castanha, reafirmando a atividade como prática de resistência e continuidade histórica na Amazônia.
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