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CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Projeto apoiado pelo Governo do Amapá desenvolve prótese com inteligência artificial para ampliar acessibilidade

Pesquisa financiada pelo Governo do Amapá, através da Fapeap, por meio do Programa Afrocientista do Amapá (Proafro), alcança resultados promissores e reforça a política estadual de incentivo à ciência, à inovação e à inclusão social.

Por Marcelo Guido
02/06/2026 17h33
Pesquisador André de Oliveira Ferreira destaca ″O apoio da Fapeap foi fundamental para a concretização dos resultados alcançados″

O Governo do Estado do Amapá, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (Fapeap), apoiou o desenvolvimento de uma pesquisa inovadora que utiliza inteligência artificial para transformar sinais musculares em comandos capazes de controlar próteses robóticas. O projeto foi financiado através do Programa Afrocientista do Amapá (Proafro), iniciativa que fortalece a inclusão, a formação científica e o protagonismo negro na produção do conhecimento.

A pesquisa desenvolvida pelo coordenador do projeto, pesquisador André de Oliveira Ferreira, tem como objetivo criar uma tecnologia capaz de captar sinais mioelétricos (EMG), produzidos naturalmente pelos músculos durante movimentos ou contrações, e transformá-los em comandos interpretados por sistemas de inteligência artificial embarcados em dispositivos de baixo custo.

A iniciativa busca contribuir para a criação de próteses inteligentes mais acessíveis a pessoas amputadas ou com limitações motoras, oferecendo alternativas tecnológicas que possam ampliar a autonomia e melhorar a qualidade de vida da população.

Iniciativa que fortalece a inclusão, a formação científica e o protagonismo negro na produção do conhecimento

Segundo o pesquisador André de Oliveira Ferreira, o apoio da Fapeap foi fundamental para a concretização dos resultados alcançados. “A contribuição da Fapeap foi financiar a pesquisa por meio de recursos destinados à bolsa e aos materiais de consumo e permanentes necessários ao projeto. O financiamento da bolsa é muito importante como um fator atrativo para que o discente tenha um primeiro contato com o mundo da pesquisa e também permaneça até a conclusão dela”, explicou.

O pesquisador também destacou a importância do Programa Afrocientista para a formação acadêmica dos estudantes envolvidos. “Programas como o Afrocientista são o combustível para despertar o interesse pela pesquisa e gerar oportunidades ao discente afro. Nessa, especificamente, percebi uma grande mudança na dinâmica acadêmica do discente que a desenvolveu junto comigo, o Ronald Pamplona. Ele passou a respirar mais o ambiente acadêmico, a frequentar mais o curso, a estar mais presente nas atividades laboratoriais e suas perspectivas de futuro são as melhores possíveis. Em geral, esse aluno se torna pesquisador também”, ressaltou.

A tecnologia desenvolvida utiliza sensores instalados próximos à junção entre o braço e o antebraço para captar os sinais musculares. Essas informações são enviadas para uma rede neural artificial embarcada em um microcontrolador, que interpreta os padrões dos sinais e aciona servomotores responsáveis pelos movimentos dos dedos de uma prótese robótica produzida por impressão 3D.

Durante a execução da pesquisa, foram desenvolvidos circuitos eletrônicos para captação e processamento dos sinais musculares, placas eletrônicas específicas, um sistema embarcado utilizando microcontrolador ESP32, além de um modelo de inteligência artificial treinado para reconhecer diferentes gestos da mão, como mão aberta, mão fechada, contração em formato de garra e movimento do polegar.

Os testes realizados alcançaram mais de 92% de precisão no reconhecimento dos movimentos, demonstrando o potencial da tecnologia para futuras aplicações em próteses inteligentes, sistemas de reabilitação e interfaces entre seres humanos e máquinas.

Presidente da FAPEAP ,Gutemberg Silva.

O presidente da Fapeap, Gutenberg Silva, destacou que o investimento em pesquisas como essa demonstra o compromisso do Governo do Estado com o fortalecimento da ciência e da inovação no Amapá. “Este projeto representa exatamente o tipo de transformação que buscamos promover por meio dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Ao apoiar pesquisas que unem conhecimento científico, inclusão social e desenvolvimento tecnológico, o Governo do Estado reafirma seu compromisso com a construção de soluções que impactam diretamente a vida das pessoas”, afirmou Gutemberg Silva.

O gestor ressaltou ainda que programas como o Proafro têm papel estratégico na democratização do acesso à pesquisa científica. “O Proafro fortalece a formação de novos pesquisadores, amplia oportunidades para estudantes negros e estimula a produção de conhecimento voltado às necessidades da sociedade. Investir em ciência é investir no desenvolvimento do Amapá”, acrescentou.

André de Oliveira Ferreira explica que um dos grandes diferenciais da pesquisa está na capacidade de executar inteligência artificial em equipamentos compactos, de baixo custo e baixo consumo energético, ampliando as possibilidades de aplicação prática da tecnologia.

“Uma prótese como essa pode melhorar consideravelmente a vida de uma pessoa, pois pode proporcionar a realização de atividades que ela não executa, trazendo de volta a autonomia em tarefas como escrever, por exemplo. Além disso, o custo de uma prótese comercial é elevado e um dos objetivos da pesquisa é justamente reduzi-lo para que essa tecnologia seja acessível a um número maior de pessoas”, destacou.

Além dos avanços tecnológicos alcançados, o projeto evidencia a importância das políticas públicas de incentivo à ciência implementadas pelo Governo do Estado, por meio da Fapeap  e de programas como o Proafro. O Amapá segue investindo na formação de pesquisadores, no desenvolvimento de soluções inovadoras e na valorização da produção científica local, fortalecendo a ciência como instrumento de inclusão, desenvolvimento social e transformação da realidade amapaense.

O Programa Afrocientista do Amapá lançado em 2024 pelo Governo do Estado via Fapeap e parceiros, financia pesquisas e inovações focadas em questões étnico-raciais para reduzir desigualdades

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