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Governo do Amapá transforma Futlama em símbolo de preservação do Rio Amazonas no Junho Verde 2026

Evento realizado pelo Estado na Orla do Santa Inês reúne equipes masculinas e femininas e consolida o esporte tradicional como ferramenta de educação ambiental e valorização cultural.

Por Vithória Barreto
21/06/2026 12h36
Futlama encerra a programação do Junho Verde, que integra esporte, identidade amapaense e conscientização ecológica

O Governo do Amapá iniciou, no sábado, 20, o Torneio de Futlama, ação que marca o encerramento da programação do Junho Verde 2026 e reforça o compromisso do Estado com a preservação ambiental aliada à valorização da cultura local.

Realizado na Orla do Santa Inês, em Macapá, o evento é coordenado pelas secretarias de Estado do Meio Ambiente (Sema) e do Desporto e Lazer (Sedel), em parceria com a Equatorial Energia e a Federação Amapaense de Futlama (Feafla).

Às margens do Rio Amazonas, berço do futlama, a competição envolve equipes masculinas e femininas em disputas eliminatórias e evidencia a força de uma modalidade reconhecida como patrimônio cultural do Amapá. A programação que integra esporte, identidade amapaense e conscientização ecológica.

Partidas às margens do Rio Amazonas têm duração de 20 minutos, divididas em dois tempos

Segundo o coordenador da programação do Junho Verde, Wellinson Maximin, a proposta foi utilizar o esporte como ferramenta de mobilização social para ampliar o alcance das ações da campanha.

“Entendemos que a melhor forma de trazer a sociedade para discutir as questões ambientais é através do esporte. O futlama foi escolhido por ser um esporte genuinamente amapaense, praticado no Rio Amazonas. Ele permite discutir a importância do descarte adequado do lixo, o valor do rio para a sociedade e como a população pode contribuir para sua preservação”, destacou.

A proposta deste ano foi levar o Junho Verde para ambientes fora de espaços institucionais. Tradicionalmente desenvolvida por meio de palestras e seminários, a campanha passou a investir em atividades abertas ao público para ampliar a participação popular nas pautas ambientais.

Futlama exige maior preparo físico e resistência dos atletas

As partidas têm duração de 20 minutos, divididas em dois tempos, e seguem regras específicas da modalidade. Os vencedores recebem troféus, medalhas e incentivo financeiro.

Segundo a organização, a expectativa é fortalecer a agenda ambiental do estado por meio de ações que dialoguem diretamente com a população, especialmente os jovens, ampliando o alcance das políticas públicas de sustentabilidade e incentivando novas práticas de cuidado com os espaços naturais urbanos.

Programação realizada pelo Governo do Amapá e coordenada pela Sema e Sedel

A programação do Junho Verde também incluiu outras iniciativas de sensibilização. No dia 5 de junho, a Sema promoveu a Corrida do Meio Ambiente, que reuniu mais de 2 mil participantes na orla de Macapá. Já no último dia 13, uma ação de limpeza realizada em parceria com a CSA retirou quase quatro toneladas de resíduos sólidos da área onde tradicionalmente ocorrem as partidas de futlama.

Durante o torneio, os participantes também foram incentivados a refletir sobre a destinação correta dos resíduos e a importância da conservação dos recursos hídricos.

Futlama, patrimônio cultural do Amapá

A modalidade é praticada no Amapá desde a década de 1990, quando grupos de amigos aproveitavam a maré baixa para disputar partidas nas áreas de lama às margens do Rio Amazonas.

Ao longo dos anos, o esporte conquistou novos adeptos, consolidou-se como uma manifestação cultural do estado e ganhou ainda mais força com a criação da Federação Amapaense de Futlama.

Proposta foi utilizar o futlama como ferramenta de mobilização social em favor do meio ambiente

O futlama é uma adaptação do futebol tradicional. A principal diferença está no local das partidas: em vez de gramados ou quadras, os jogos acontecem na lama. As regras, no entanto, seguem os mesmos princípios do futsal.

Farmacêutica Vanessa Santos faz parte do time Jaranduba Marabaixo

Entre as atletas presentes está a farmacêutica Vanessa Santos, de 34 anos, integrante da equipe Jaranduba Marabaixo. Para ela, disputar partidas às margens do Rio Amazonas representa uma experiência especial.

“O futebol é uma paixão. Voltei a praticar por causa da minha filha, que joga no nosso time. Estar aqui, jogando no majestoso Rio Amazonas, é um prazer. A festa está muito bonita e o incentivo ao futebol feminino é muito importante”, afirmou.

Com 20 anos de experiência no futebol e participando pela segunda vez de um campeonato de futlama, Vanessa destaca que a modalidade exige habilidades específicas dos atletas.

“É a mesma dinâmica do futebol, mas o futlama exige mais preparo físico e mais toque de bola, porque a bola não corre tanto. É diferente, sim”, explicou.

As disputas seguem como parte da programação de encerramento do Junho Verde 2026, reforçando a mensagem de que esporte, cultura e preservação ambiental podem caminhar juntos na construção de uma sociedade mais consciente e comprometida com a proteção dos recursos naturais amazônicos.

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