Parada Preta une cultura ancestral e homenageia personalidades de luta dos direitos humanos com o prêmio 'Xica Manicongo'
Evento surge como um espaço de celebração e reivindicação política, colocando em pauta a interseccionalidade entre raça, gênero e sexualidade.
A Parada Preta, evento que antecede à Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ - que ocorre neste domingo, 26- aconteceu na noite desta quinta-feira, 26, na área externa da Casa do Artesão, no centro de Macapá. A festa reuniu artistas amapaenses entre cantores, poetas, dançarinos e representantes da cultura local que utilizam a arte como instrumento de engajamento social, valorização da identidade negra e fortalecimento da luta contra o racismo e a discriminação.
“Neste evento de hoje e as homenagens queremos reconhecer pessoas que estão nesse movimento dia a dia, são muitos anos de luta contra o racismo, preconceito entre outras maneiras que vivenciamos de pessoas que insistem em não respeitar nossa decisão. As vezes temos um pequeno retrocesso, mas a luta continua”, enfatizou a coordenadora da Parada Preta, Luar Sereia Mariana.
A Parada Preta referência Xica Manicongo, considerada historicamente a primeira travesti não indígena do Brasil. Ela viveu em Salvador, na Bahia, durante o século XVI; mulher negra escravizada, originária do Reino do Congo, e pertencia à categoria de lideranças espirituais da quimbanda. Sua trajetória tornou-se símbolo de resistência e da luta por reconhecimento da população negra e trans no país.
“Estamos exaltando a negritude LGBTs que é momento de nós cultuarmos outras crenças de matrizes africanas onde essas pessoas se sintam mais acolhidas, e neste evento, teremos outras performance culturais com DJs, cantores e outros talentos”, frisou Suzanne D’Blue, uma das homenageadas.
Com música, dança, poesia e manifestações culturais, a Parada Preta tomou conta da área central da capital. O som eletrônico dividiu espaço com as tradicionais caixas de marabaixo, enquanto apresentações artísticas e homenagens a lideranças sociais reforçaram a importância da pauta antirracista e da valorização da população LGBTQIAPN+ negra.
Entre as personalidades homenageadas esteve Alzira Nogueira, referência na defesa dos direitos humanos e da igualdade racial no Amapá. Para ela, a Parada Preta surgiu da necessidade de ampliar o debate sobre as múltiplas formas de discriminação enfrentadas pela população negra LGBTQIAPN+, fortalecendo a luta por reconhecimento, respeito e equidade.
"A Parada Preta representa um construção que inicia a partir da necessidade que a comunidade de LGBTs identificam de trabalhar a questão racial", observou.
Cultura, ancestralidade, resistência e moda
A programação foi aberta ao som do Marabaixo, patrimônio cultural imaterial brasileiro, reafirmando a conexão entre cultura, ancestralidade e resistência. O evento também reuniu representantes de povos de terreiro, apresentações do grupo Samba de Malandro, manifestações em defesa da liberdade religiosa e das tradições de matriz africana, além de um desfile de moda afro, com produção, criação e elenco formados integralmente por profissionais amapaenses.
“Quando eu tinha 15 anos participei do primeiro desfile, e após conhecer o Afro Fashion que possui identidade 100% negra entre produção, modas e elencos, acabei me dedicando fazendo cursos e aqui estamos lutando pela nossa valorização nesse seguimento, mostrando o talento e a moda para pessoa negra”, enfatizou a modelo Fabiane Chagas, 22 anos.
Prêmio Xica Manicongo
Outro momento marcante da programação foi a entrega do Prêmio Xica Manicongo, honraria que reconhece pessoas e iniciativas de destaque na defesa dos direitos da população negra e da comunidade trans. Nesta edição, receberam a homenagem Janilson Barbosa, a jornalista Lilian Monteiro (diretora da Rádio Difusora), Elisia Gongó, Argeu Barbosa e Pablo Sena, personalidades reconhecidas pela atuação social e pela defesa dos direitos humanos no Amapá.
Ao receber a homenagem, a jornalista destacou que o reconhecimento reforça o compromisso com uma comunicação comprometida com a defesa dos direitos humanos e da igualdade racial e de gênero.
“Esta homenagem, que tem um significado muito especial para mim. Recebê-la representa, acima de tudo, um compromisso ainda maior de seguir defendendo, por meio da comunicação, o respeito, a dignidade humana e o direito de todas as pessoas serem vistas, ouvidas e tratadas com igualdade. Como jornalista e mulher negra, sei que cada espaço conquistado carrega a história e a luta de muitas pessoas que enfrentaram barreiras para que hoje pudéssemos ocupar lugares de fala, de decisão e de transformação. Esta homenagem não celebra apenas uma trajetória individual, mas reafirma a importância de manter viva essa construção coletiva por uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva”, destacou Lílina Monteiro
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José Maria - Assessor de Comunicação/Secom - (96) 99113-1065
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