Tecnologia e inovação impulsionam discussões no 3º Fórum da Cadeia Produtiva do Açaí, na Expofeira 2026
Encontro reuniu produtores e instituições para discutir soluções e fortalecer a cadeia do açaí no Amapá
Produtores, pesquisadores, empreendedores e representantes de instituições públicas e privadas participaram, na manhã desta sexta-feira, 14, do 3º Fórum da Cadeia Produtiva do Açaí, realizado durante a Expofeira 2026. O encontro discutiu estratégias e apresentou soluções para fortalecer a cadeia produtiva do açaí, ampliar oportunidades de mercado e gerar melhores resultados para produtores, associações, empresas e para a sociedade.
A programação abordou temas como políticas públicas, comercialização, acesso a mercados, pesquisa, tecnologia e inovação. A proposta foi reunir diferentes atores da cadeia para construir, de forma integrada, alternativas capazes de melhorar os processos de produção e comercialização do fruto.
“Esta é uma realização coletiva, com a presença de órgãos públicos e privados que buscam aprimorar propostas que realmente possam conduzir essa cadeia a melhores resultados para a comunidade, para o mercado e para o próprio funcionamento da cadeia”, destacou o secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, Edivan Barros.
Segundo o secretário, o Governo do Estado também trabalha na criação de um espaço específico para atender às demandas do setor dentro do futuro Parque Tecnológico. A proposta é que o local funcione como um escritório de projetos voltado à cadeia produtiva do açaí.
“O Governo do Estado já anunciou ações voltadas para a área da tecnologia. Entre elas, está a criação de uma sala dentro do Parque Tecnológico, um espaço específico que vai funcionar como um escritório de projetos voltado para a cadeia produtiva do açaí. É uma iniciativa para dar mais força a essa cadeia, criando um ponto focal para apoiar seu desenvolvimento”, explicou Edivan.
A estruturação do escritório está sendo desenvolvida em parceria com o Sebrae, com a participação das organizações que integram a cadeia produtiva na definição de prioridades e no levantamento das demandas que deverão orientar os projetos.
Tecnologia para uma colheita mais segura
Entre as inovações apresentadas durante o fórum e no Corredor do Açaí, na Expofeira 2026, está o AçaíBot, desenvolvido pela empresa Kaatech. O equipamento automatiza a colheita de forma remota: o robô sobe no açaizeiro e realiza o corte dos cachos, reduzindo a necessidade de escalada manual e contribuindo para mais segurança e eficiência no trabalho.
Segundo o empreendedor e representante da Kaatech, Nelson Franzone, a tecnologia foi desenvolvida especialmente para atender às necessidades das comunidades que trabalham com o açaí de várzea. Ele destaca que, além de aumentar a segurança durante a colheita, o equipamento contribui para elevar a produtividade.
“Ele é fundamental, principalmente, para a comunidade que trabalha com açaí de várzea. É uma ferramenta que une segurança e produtividade, com capacidade de colher quase uma tonelada por dia. A bateria dura quatro horas e, nesse período, é possível colher uma média de 130 a 160 cachos de açaí”, destacou Nelson Franzone.
O equipamento também foi apresentado como uma alternativa para tornar a atividade extrativista mais segura e aumentar a produtividade no campo. Durante o evento, foi informado que o AçaíBot pode ser adquirido por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), com possibilidade de financiamento pelo Pronaf e subsídio de 40% do Governo Federal.
Aplicativo aproxima produtores e compradores
O Instituto Federal do Amapá (Ifap) também apresentou, durante o fórum, o Açaí Direct, aplicativo que está em fase de testes e foi desenvolvido para facilitar a comercialização do fruto. Segundo o coordenador do projeto, Bruno Cavalcanti, a ferramenta surgiu a partir de uma demanda identificada diretamente com produtores e reúne ações de pesquisa e extensão realizadas desde 2024.
“O Açaí Direct é um projeto de pesquisa e extensão que surgiu em 2024. Já fomos a campo visitar produtores, donos de batedeiras e outros agentes da cadeia produtiva que fazem esse elo funcionar. O aplicativo surgiu de uma demanda dos próprios produtores, devido à dificuldade de comercializar o açaí em tempo hábil”, explicou.
A ferramenta busca aproximar produtores e extrativistas de donos de batedeiras e empresários, facilitando a negociação e contribuindo para reduzir perdas, agilizar a comercialização e melhorar o escoamento da produção.
Produtores buscam novas soluções
Uma das primeiras pessoas a testar o Açaí Direct foi Maria Angélica Oliveira, presidente de uma cooperativa localizada na região do Maracá, em Mazagão. Há 33 anos atuando na produção e na colheita do açaí, ela participou do fórum em busca de informações e novas tecnologias que possam contribuir para o trabalho desenvolvido na comunidade.
“Hoje eu vim aqui como convidada e pretendo levar daqui o que realmente for decidido. Trabalhamos com cerca de 300 produtores na cooperativa. Buscar novas tecnologias e dividir experiências nos ajuda a fortalecer esse trabalho tão importante para nossa região”, afirmou.
Com iniciativas voltadas à inovação, à comercialização e à organização do setor, o 3º Fórum da Cadeia Produtiva do Açaí destacou a integração entre diferentes segmentos como caminho para transformar demandas em soluções e fortalecer uma das atividades econômicas de maior relevância para o Amapá.
Talismã Comunicação - Márcia Fonseca - Assessora de Comunicação 96984061389
Fotos: Ladson Santos / Secom GEA
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