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POVOS ORIGINÁRIOS

Povos Tiriyó e Kaxuyana levam cultura e ancestralidade à Expofeira 2026

Na Maloca dos Povos Indígenas, grupo formado por estudantes apresenta dança tradicional.

Por Lucas Mota
16/08/2026 18h52
Tradição dos povos do Parque do Tumucumaque ganhou voz, movimento e visibilidade

“Queremos trazer um pouco do que é desconhecido para quem não conhece nossa cultura”. A fala é de Gilson Kawana, do povo Tiriyó e Kaxuyana, e traduz o sentido da presença indígena na Expofeira 2026, realizada pelo Governo do Amapá. Na Maloca dos Povos Indígenas, a tradição dos povos do Parque do Tumucumaque ganhou voz, movimento e visibilidade.

‎Gilson integra um grupo criado a partir de uma preocupação e, ao mesmo tempo, de um desejo: aproximar os jovens indígenas que vivem em Macapá de suas culturas de origem.

A iniciativa reúne principalmente estudantes do ensino básico e nasceu da percepção de que, longe de suas comunidades, muitos acabam se distanciando das vestimentas, costumes e manifestações tradicionais.

‎“A ideia é resgatar, trazer esses alunos, reaproximar eles da nossa cultura, mesmo estando dentro da cidade”, explicou Gilson.

Gilson Kawana leva a cultura dos povos Tiriyó e Kaxuyana ao público

‎O grupo trabalha com dança, teatro e encenações. Na apresentação da Expofeira, o destaque foi a tradicional Dança do Jacaré, manifestação que guarda na coreografia a memória de acontecimentos vividos pelos antepassados Tiriyó. 

‎Gilson explica que a dança representa um período marcado por conflitos entre povos e pelo desaparecimento de crianças e jovens, transformando a lembrança de um passado difícil em expressão cultural transmitida entre gerações.

‎Para ele, ocupar um espaço como a Expofeira também significa apresentar ao público uma cultura que ainda é pouco conhecida fora dos territórios indígenas.

‎“A nossa comunidade fica muito distante daqui da cidade, o nosso acesso se dá somente por avião. Então, a gente não tem uma visibilidade como acontece com outros povos. Esse espaço é muito importante para trazer essa visibilidade”, destacou.

‎A participação também tem um significado pessoal. Longe de sua comunidade há quase oito anos, desde que passou a viver em Macapá para estudar e trabalhar, Gilson encontrou na convivência com os jovens uma maneira de se aproximar novamente das próprias raízes.

‎Na Expofeira, essa história encontra o público. Entre passos, pinturas, gestos e narrativas, a cultura dos povos Tiriyó e Kaxuyana deixa o território do Tumucumaque e ocupa a cidade, não como lembrança distante, mas como uma tradição viva, compartilhada por quem aprendeu que preservar também é ensinar às novas gerações de onde elas vieram.

O grupo fortalece a cultura indígena entre os jovens e mantém vivas as tradições dos povos Tiriyó e Kaxuyana

Lucas Mota - (96) 99158-7392 
Fotos: Márcia do Carmo/GEA
Assessoria de Comunicação -Secom/GEA

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