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RAINHA DAS ÁGUAS

Com apoio do Governo do Amapá, Santana recebe 20ª edição do Festival de Iemanjá com devoção e cantos ancestrais

O evento reuniu 14 casas de matriz africana em um momento de fé, celebração e combate à intolerância religiosa.

Por Alexandra Flexa
08/02/2026 11h32
Após a abertura oficial, o rufar dos tambores embalou as cantigas em homenagem aos orixás Ogum e Iemanjá

Vestidos de branco e azul, religiosos se reuniram às margens do Rio Matapi, no município de Santana, em um grande ato coletivo de fé. A celebração contou com danças e apresentações de cantos em homenagem a Iemanjá, orixá conhecida como a “Rainha das Águas”. A programação, realizada neste sábado, 7, faz parte da 20ª edição do Festival de Iemanjá – Tributo à Grande Mãe, iniciado no dia 2 de fevereiro, em Macapá.

O evento reuniu 14 casas de matriz africana em um momento de fé, celebração e combate à intolerância

Com o apoio do Governo do Estado, o evento é promovido em parceria com a Federação dos Cultos Afro-Religiosos de Umbanda e Mina Nagô do Amapá (Fecarumina). A iniciativa é uma política pública que fortalece as manifestações tradicionais e promove a valorização da cultura ancestral. Para a zeladora de santo Aldenora de Souza, de 78 anos, da Casa Santa Bárbara Mina Nagô, o festival é um símbolo de reconhecimento.

“É muito bom participar deste momento de fé e agradecimento. Vemos que o festival cresce a cada ano. Para nós, é mais que um festejo, é a nossa visibilidade”, declarou Mãe Aldenora.

Mãe Aldenora de Souza, da Casa Santa Barbara Mina Nagô

Após a abertura oficial, o rufar dos tambores embalou as cantigas em homenagem aos orixás Ogum e Iemanjá durante a grande roda de dança. A celebração reuniu 14 casas de matriz africana.

“Iemanjá representa uma mãe protetora que abençoa a todos. Agradecemos por este momento, que é histórico para nós”, celebrou Yolete Nunes, presidente da Fecarumina.

Mãe Yolete Nunes, presidente da Fecarumina

Tradição e Devoção

Como manda o rito, ao final da roda de dança, os fiéis entregaram as oferendas. Às margens do Rio Matapi, foram lançados barquinhos biodegradáveis, frutas, flores naturais e perfumes, em um ato de gratidão e pedido de proteção.

Josilana Santos, presidente da Fundação Marabaixo

“O Governo do Amapá reconhece a contribuição social e política das comunidades tradicionais. Isso faz parte do plano de gestão do governador Clécio Luís: a valorização por meio de políticas afirmativas. Somos um Estado laico com uma diversidade religiosa imensa, e o fortalecimento dessas raízes promove paz e respeito”, destacou Josilana Santos, diretora-presidente da Fundação Marabaixo.

Descentralização

Este ano, o Festival de Iemanjá expandiu-se para sete municípios: Macapá, Santana, Mazagão, Calçoene, Laranjal do Jari, Vitória do Jari e Oiapoque. A descentralização garante maior acesso e participação popular em diferentes regiões.

Odilon Tateto Lokunbenan destacou que levar o festival para Santana pela primeira vez é uma ferramenta contra o preconceito.

“O festival sempre ficava concentrado em Macapá. Esta é uma oportunidade de desmistificar a nossa religião e mostrar que ela é feita de acolhimento, amor e paz”, enfatizou.

Odilon Tateto Lokunbenan

Próximas programações

A agenda segue neste domingo, 8, no município de Laranjal do Jari, seguida por Vitória do Jari, Calçoene e Oiapoque. A estimativa é que, até o final do cronograma, cerca de 141 casas afro-religiosas tenham participado das celebrações em todo o estado.

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